Siem Reap (Angkor Wat) – Do you need a massage, sir? Just one dollar!

Se você chegou até aqui pelo google, não deixe de passar por este post para entender como planejar o seu roteiro pelo sudeste asiático…

Você está diante do post mais importante desta viagem. O motivo; o que me levou para uma viagem de 24 horas até a Ásia e ao passeio pelo Camboja. E não me decepcionei, com certeza.

Este é um daqueles lugares que não te dá a real noção do que ele é até que você vá embora prá casa, veja as fotos e pense um pouco sobre o que viveu lá. Um breve passar de olhos por elas já me levou de volta ao Camboja, um lugar que certamente ficará guardando para mim como um dos inesquecíveis da minha vida.

Primeiramente, porque o povo do Camboja (já elogiado no post de Phnom Penh e no preparatório para o roteiro asiático) atinge seu ápice de simpatia em Siem Reap. Do motorista de tuk-tuk até os atendentes do hotel; das pessoas que nos servem nos restaurantes até os vendedores no mercado central; dos que nos oferecem massagem a todo lado e nos vendem os cacarecos pelas ruas: todos são fantásticos, simples e simpáticos. São a melhor coisa que existe lá.

Mas não é só isso. É o melhor sítio arqueológico que já visitei na vida! A conservação de Tulum ou de Chichen Itzá não passam nem perto do que vimos nas ruínas da civilização Angkor. O nível das construções está em bom estado de conservação, apesar de tudo.

Dicas iniciais

Não passei essas dicas em Phnom Penh para passá-las aqui, acreditando que este post será mais visualizado do que aquele…

Para entrar no Camboja, brasileiros podem obter o visto na chegada (visa on arrival). Em 2013 custava 20 USD. É obtido nos aeroportos e não tem galho. Quando se chega o sujeito já te indica para a fila específica e te faz pagar a taxa. Sem perguntas.

Roupas leves. Sempre elas. Aqui, como em Singapura, o calor tem as fases de insuportável e totalmente insuportável. Além disso, existe uma poeira chata que sempre nos acompanha. Os sítios são todos na terra e a pavimentação é apenas na rodovia central. Seu pé ficará encardido se você resolver ir de chinelo. Vá de tênis velho de cor escura que não tem erro. Além disso, use roupas o mais leve possível. Exceto Angkor Wat (o templo propriamente dito) que exige “vestimentas apropriadas” (bermuda abaixo do joelho para homens e mulheres e camiseta cobrindo os ombros) e um ou outro ponto específico, a maioria não exige nenhum tipo de traje comportado. Vá confortável. E não se esqueça de levar um chapéu ou boné e de muito protetor solar!

Existem alguns circuitos pré-definidos (Grande e Pequeno) que os tuk-tukers gostam de fazer. Além deles, há outros templos espalhados pela região, que podem te interessar. Nós não nos ativemos a nenhum circuito definido: fizemos o que aguentamos e achei mais importante. Olhar um mapa para ter noção do lugar é bastante interessante.

Dá prá ir de tuk tuk, de bicicleta, de carro alugado ou de van. Cada um sabe o que prefere, mas saiba que a bicicleta vai te limitar apenas a Angkor Thom. A não ser que você seja um estradista, que tope 40 ou 50 km de pedalada até os lugares mais distantes. O tuk tuk é tranquilo e mais em conta (entre 20 e 25 USD por dia tá bom). Se quiser contratar um guia, espere mais uns 25 USD. Normalmente, em alguns lugares, eles se oferecem para te explicar aquele templo específico. Como eu tinha lido que a maior parte dos guias não compensavam, optei por não contratar, mas em Bayon um guardinha nos pegou para explicar tudo e levou uma gorjeta. Tiramos fotos muito legais por lá, as chamadas “funny pics”. Os carros são mais confortáveis e possuem ar condicionado, o que é uma vantagem naquele calor absurdo. Assim, se você quer conforto, pode também pensar num carro por uns 40 USD. De resto era só dar uma lida no seu roteiro e guia para tentar entender um pouco da história e beleza.

Quase todo mundo que viaja para lá tem um grande tuk-tuker para indicar. É o que eu disse sobre o fato de a população ser altamente simpática o tempo todo. Em cada blog que a gente entra o dono indica um, dizendo que o Sr. fulano é fantástico, que ele faz isso, conhece aquilo, etc. Para não fugir da regra, indico o meu tuk-tuker (que ficou com a gente o tempo inteiro) como um dos ótimos de lá. Pode ir na recomendação que não tem erro: Apresento-lhes, o sr. Pheng.

Ele tem até site próprio, com recomendações de clientes…

Alguns tuk-tuks de lá são mantidos por estrangeiros e existem até os adotados por casais e grupos. Sempre levando em conta que estamos num dos lugares mais pobres do mundo…

Vamos para os templos, que depois a gente passeia pela cidade. Antecipo que vou falar um pouco da história, mas sem muitas delongas. Senão o post fica muito chato com muitas explicações minuciosas. Quem se interessar por um templo específico, certamente encontrará mais informações nos seus guias…

A civilização Angkor e Angkor Thom

Diferentemente de outros sítios arqueológicos em que a gente vai para um lugar e vê tudo lá, Angkor Wat é apenas uma pequena parte de uma região imensa de templos. Pelo mapa, você pode notar que existem muitos templos próximos de Siem Reap possíveis de ser visitados. Vamos tratar de um raio de uns 70 km de templos, apenas naquela região.

Assim, como eu disse, planejar é essencial. Cada um faz o roteiro que mais gosta, porém alguns tempos são essenciais. Vamos falar deles?

Historicamente falando, o templo de Angkor Wat precede Angkor Thom. O primeiro é do início do século XII e o segundo foi construído entre o final do século XII e início do XIII. Além deles, outros templos foram construídos em outras datas.

Angkor Wat

A cereja do bolo, o “must see”, a figura da bandeira e do dinheiro. O lugar não significa pouco, não. Foi construído pelo rei Suryavarman II, no início do século XII para ser a capital administrativa do império khmer. É, ainda hoje, considerado o maior templo religioso do mundo.

E não é por menos. Está muito bem conservado. Possui cobertura em grande parte de sua estrutura e suas paredes ainda guardam muito da época de sua construção. Mas aqui precisa ser feito um adendo.

Os reis khmer transitavam entre o hinduísmo e o budismo. Cada rei que assumia tinha suas próprias crenças e construía templos para os seus deuses. Mas não era só isso. Ele também se encarregava de trocar os deuses que ficavam nos templos já construídos, pelos seus próprios. Assim, os templos foram muito depredados até mesmo em datas próximas de suas construções. A figura do buda sentado era trocada pela de shiva meditando e vice-versa.

Angkor Wat foi, orginalmente, um templo hinduísta. Assim, as figuras desenhadas nas paredes eram de Shiva. Quando o rei rei Jayavarman VII (guarde esse nome que ele fez coisa prá caramba por lá) assumiu, ele se converteu ao budismo e mandou arrancar as figuras de shiva, trocando pelas de buda (sentados, ambas figuras guardam proximidade geométrica, por isso os espaços eram ocupados com alguma simetria). E isso ainda ocorreria mais algumas vezes, já que Jayavarman VIII era hinduísta e mandou voltar com as figuras de shiva, até que o último rei antes do abandono, Srindravarman, ex monge budista, adaptasse o templo ao budismo Teravada e assim ele ficou (e você aí pensando que só no ocidente que o pessoal se matava nas cruzadas por religião, hein?)…

Vamos às fotos?

Chegando

Guardado pela Naga

Apsarás

Aqui acontece o famoso nascer do sol. É concorridíssimo. Muitas pessoas (menos nós) acordam às 3:30 da manhã para vê-lo. Infelizmente eu não estava nesta vibe. O pôr do sol por aqui também é bonito, mas aí quem não colaborou foi o tempo, que estava meio fechado e não nos permitiu vê-lo. Teve um segundo pôr do sol num outro templo, que também não foi legal. Aquela semana estava meio nublada…

Com toda a história e mística, Angkor Wat é O TEMPLO de lá. Esse aí, tem que estar no roteiro…

Angkor Thom e Bayon

Angkor Thom foi construída pelo rei Jayavarman VII (lembra dele, o budista) para ser a nova sede do reino khmer. Ele fortificou a cidade, que é toda murada. Possui 5 portões, já que o lado leste tem dois. É um grande espaço, com alguns lugares legais para se ver, como o terraço dos elefantes e o do rei Lemper.

Ali fica outro templo interessantíssimo de se ver: Bayon.

É conhecido como o templo das faces, já que ele possui 216 faces diferentes  do próprio rei, segundo alguns estudiosos. Como Angkor Wat, também foi trocado várias vezes de religião – nasceu budista, virou hinduísta e terminou budista de novo…

É outro templo que tem que ser visto. Está bem conservado e suas faces são muito intrigantes. Ali a gente consegue fazer várias fotos engraçadas, face a face com o rei e etc. É próximo de Angkor Wat e de Siem Reap.

As sempre presentes apsarás

Aqui fica uma explicação, já que é impossível ir a um lugar desses sem entender minimamente sua cultura. As apsarás são figuras mitológicas hindus e budistas que correspondem a espíritos femininos das nuvens e das águas. São símbolos de fertilidade e têm como missão guiar os guerreiros mortos em combate ao paraíso e casarem-se com eles.

Há representações de apsarás em todos os templos que fomos. Elas são onipresentes e cada uma de uma forma diferente. Há templos em que há milhares, cada uma numa posição diferente…

Visitar Bayon e suas faces certamente tornará a viagem mais rica!

Ta Prohm e Banteay Kdei

Bom, bom, bom. O pessoal que gosta de cinemas e jogos deve ter ouvido falar desses dois, principalmente o primeiro. Ali foi gravado Tomb Raider. A Angelina Jolie também é uma das responsáveis pelo aumento do turismo no Camboja e por tê-lo tornado um destino “popular”.

Esses dois templos ficam fora de Angkor Thom, à sua direita (visto de frente). Coloquei-os juntos, no mesmo post, porque guardam algumas semelhanças. A principal delas, visível pelas fotos, é o fato de ambos terem sido deixados mais ou menos como quando encontrados, com várias árvores tomando o espaço dos templos. Ambos são exemplos de como a natureza tomou Angkor. Dizem que todos os outros também foram encontrados desta forma. Assim, foram deixados para que os visitantes tivessem essa noção um pouco diferente, apesar de haver reformas no lugar que visam dar uma limpada no visual.

Lembram-se do Jayavarman VII, que eu fiz menção em Angkor Wat? Então, ele mesmo é o responsável por estes dois templos, ambos construídos do meio do século XII até o início do XIII.

Segundo a wikipedia, esses templos não são tão adornados quanto outros nas paredes. Sinceramente, não percebi tanta diferença não. As apsarás estão lá, buda também, e os desenhos em baixo-relevo, idem. A construção foi feita com arenito de baixa qualidade, o que explicaria um pouco da atual situação do templo. Também aquela velha conversa dos iconoclastas e sua invariável busca por destruir tudo o que remetesse a um deus que não fosse o seu, explicam um pouco da depredação ocorrida lá.

Além disso, é importante ressaltar que muitas técnicas diferentes já foram utilizadas na tentativa de restaurar o sítio. E nem todas foram realizadas de maneira adequada. Alguns indianos, no início da restauração (e isso é geral para todos os templos), utilizaram ácidos corrosivos que, na tentativa de limpar as pedras, as deterioravam. Assim, há algumas falhas em todos os templos, causadas por esta tentativa fracassada.

Atualmente, eles buscam causar o mínimo de dano ao sítio, com técnicas de restauração mais modernas que visem a preservar as pedras e suas esculturas.

Vamos a algumas fotos dos templos?

Ta Prohm

Banteay Kdei

Em Ta Prohm é mais nítida a presença da natureza. Banteay Kdei também tem árvores, mas está mais “limpo”…

Banteay Srei (ou Srey)

Disseram que em khmer, Banteay Srei significa “cidade das mulheres ou da beleza”. De qualquer modo, esse templo é conhecido como Templo das Mulheres e foi o mais afastado que visitamos (eu já tinha lido sobre ele na internet, mas o nosso tuk-tuker, mesmo ciente da distância, fez questão de nos levar até lá).

Ele fica uns 35 km longe de Angkor Thom. Portanto, prepare-se para muita poeira pelo caminho e uma demorada viagem (35 km de tuk-tuk é uma hora e mesmo de carro, com estradas pequenas e apertadas, leva bastante tempo).

O templo tem uma coloração avermelhada de arenito e é bem pequeno. Um dos mais facilmente percorridos de lá. Em comparação com os outros, é quase um “mini templo”. Mas nem por isso não merece ser visto. Aliás, pelo contrário: ele MERECE ser visto.

Foi construído não por um monarca, mas por um conselheiro chamado Yajnavaraha no reinado de Rajendravarman II, em meados do século X. É, portanto, um templo que precede Angkor Thom, Angkor Wat e a região mais próxima da atual Siem Reap. Tem origem hinduísta e é dedicado a Shiva.

Vamos ao templo: ele é feito todo de arenito vermelho, diferente, portanto, de todos os outros. É ricamente decorado com apsarás e cenas de batalhas da religião hinduísta. É cercado por um lago. Enfim, vamos às fotos para maiores esclarecimentos…

Certamente foi um dos templos em que eu mais tirei fotos. Apesar de pequeno, a arquitetura e decoração são muito bonitas e adornadas. Imaginar aquilo em seu auge foi muito interessante….

Outros templos

Estes não foram os únicos templos que visitamos. Não fizemos os pré angkorianos (que são muito distantes), apenas os que estavam mais próximos de Siem Reap. Visitamos, ainda, Preah Kahn (que é outro com árvores, contemporâneo de Banteay Kdei e Ta Prohm – e que eu gostei muito mais do que de Banteay Kdei) e vimos o pôr do sol em Phnom Bakheng (Phnom, em khmer, quer dizer colina) que era no alto de uma montanha (é outro que exige vestimentas adequadas para se visitar). Esse templo é muito procurado para o pôr do sol. Subimos até lá, mas, como já disse, o tempo estava meio nublado e não deu para ver um pôr do sol perfeito. Foi meia boca. E a subida é forte (principalmente depois de um dia inteiro de templos e sobe e desce). É cansativo!

Deixo umas fotos de lá para ilustrar…

Siem Reap (a cidade)

Ufa! Depois de tanto caminhar por templos; subir e descer escadas; comer poeira, enfim, todo o périplo que um sítio arqueológico exige, chegamos na cidade de Siem Reap. O que fazer?

Em primeiro lugar, eu sugiro que se pegue algum hotel com piscina. Tudo lá é barato e, exceto o pessoal que tem alma de mochileiro, sugiro que durmam em algum bom hotel da cidade. O Golden Temple, onde ficamos, é altamente recomendado.

A cidade de Siem Reap não tem muitos atrativos. Pelo que notei por lá eles estão objetivando dar mais opções ao turista que vai para lá (para aumentar o número de dias dos visitantes, que normalmente se restringe a um ou dois), com passeios por campos onde havia minas, passeios com elefantes, etc. Interessante, também, é que seu hotel esteja próximo da Pub Street e do Mercado Central. Senão vai ficar complicado fazer as coisas legais que o lugar oferece.

A Pub Street fica ao lado do mercado central. É uma rua movimentada, com muitos restaurantes, bares e cafés. Encontra-se culinária internacional de boa qualidade por lá. É só escolher um lugar para sentar!

Uma das, infelizmente, muitas bandas de mutilados por minas terrestres…

O mercado central de lá é muito bom e não é necessário passar por Phnom Penh se o objetivo for exclusivamente comprar coisinhas. Fomos aos dois mercados e, sinceramente, quase tudo o que tem em um, tem no outro….

Passear por ali de noite, depois de um dia repleto de atividades é extremamente agradável e aprazível…

O fim

Quando dissemos que íamos ao Camboja, muitas pessoas nos olharam estranhamente, perguntando: o que vão fazer lá?

Nós mesmos, quando partimos, sentimos um pouco de receio em relação ao que iríamos encontrar por lá. Já podemos nos considerar viajantes de média quilometragem, então não nos surpreendemos facilmente com qualquer perrengue… O que posso dizer a todos é: Visitem o Camboja! Não há lugar com pessoas mais amáveis no mundo! Há boa qualidade de comida internacional (porque a asiática é complicada) e boa estrutura turística. Não me senti inseguro em lugar nenhum. As pessoas estão sempre prontas a nos ajudar e há um inglês razoável (eu disse razoável, não perfeito) em quase todos os lugares. É mais fácil para um estrangeiro visitar o Camboja do que o Brasil, com certeza. Neste quesito, o índice de inglesabilidade das pessoas por lá é muito maior!

Além disso, eles possuem um dos sítios arqueológicos mais interessantes do mundo (se não o mais). Os aeroportos são bons, e as companhias aéreas que fazem os vôos por lá, confiáveis.

É claro que a estrutura do país é precária e a população, infelizmente, paupérrima. Mas isso vai mudar com o tempo (espero) já que o turismo para lá só aumenta e é fonte de renda para muitas pessoas. Não hesito em dizer: Visite o Camboja. Sua vida nunca mais será a mesma*

*Não recebo nada, de nenhum lugar, para recomendar destinos. Quando isto ocorrer (se ocorrer algum dia) será avisado no início do post.

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Phnom Penh – Do you need a tuk-tuk, sir?

Se você chegou até aqui pelo google, não deixe de passar por este post para entender como planejar o seu roteiro pelo sudeste asiático…

Phnom Penh (lê-se Non Pen ou, se você for bom com a língua, aquele som com a língua entre os dentes…)

Inicialmente, a capital cambojana não fazia parte do nosso roteiro. Iríamos apenas para Siem Reap ver as ruínas de Angkor. Porém, após uma breve pesquisa e alguns vídeos pela internet, concluí que não poderia visitar o Camboja sem conhecer sua capital. Deixamos apenas um dia, pois, para ela. Digo que foi pouco. Se você tiver duas noites, considere ficar lá por mais tempo.

A capital cambojana tem muito mais a ver com seu povo do que com os monumentos. Phnom Penh foi construída justamente para ser a nova capital dos khmers, povo que tinha construído Angkor e a abandonou. Na Tailândia, me disseram que a mudança de capital se deu em razão do temor com as invasões tailandesas (Angkor Wat fica muito próxima da fronteira com a Tailândia), mas os cambojanos podem dizer que é uma mera mudança administrativa, ora bolas…

O povo cambojano é FANTÁSTICO. Um dos mais hospitaleiros que visitamos até hoje. Os cambojanos são pobres, alguns paupérrimos, mas não tiram o sorriso espontâneo do rosto. Essa é a maior diferença em relação aos tailandeses, por exemplo. Por estarem tão acostumados com turistas desde muito tempo, os tailandeses são muito mais “maliciosos” do que os cambojanos. O cambojano é ingênuo, até, mas não bobo, é claro.

Como pontos turísticos, Phnom Penh tem dois mercados (o russo e o Central), um belo palácio, um campo de extermínio de pessoas (nos arredores) e uma prisão de interrogatório. A cidade transita, então, pelo seu passado do Khmer Rouge e o presente budista e mercador.

Visitamos o mercado Central, o Palácio e a prisão. Deixamos os Killing Fields e o mercado russo para uma próxima visita (que realmente deve ocorrer um dia).

Phnom Pehn tem muito de seu passado pelas ruas, com, infelizmente, muitas pessoas mutiladas pelas minas terrestres. Não vi grandes resquícios da guerra do Vietnã por lá e existe alguma memória sobre o que o nosso Pol Pot fez por lá.

O povo cambojano é, na sua maioria, budista, o que faz com que haja muitas imagens de buda pela cidade, além de monges por todos os lados…

Breve história

O Camboja é um país muito rico em história neste último século. Se na época dos khmers eles brigavam com a Tailândia e alguns vizinhos, após este período eles passaram por uma colonização francesa (de 1863 a 1953) interrompida pelo período da II Guerra Mundial, quando caiu nas mãos dos japoneses. Depois disso ficou independente e viu nascer um grande sentimento nacionalista. O rei Norodorm assumiu o país e ficou ali até 1970, quando seu Marechal Lon Nol dá um golpe de Estado e toma o poder. Esse Lon Nol fica no comando até 1975, quando as tropas de Pol Pot marcharam por Phnom Penh e tomaram de novo o poder. Aí eles ficaram até 1978 derramando muito sangue por lá, até serem depostos por um governo “amigo” vietnamita.

Briga vai e briga vem, a turma do Pol Pot seguiu lutando contra o governo até 1990 (quando o comunismo oficialmente acabou, com a queda do Muro de Berlim um ano antes). A ONU interveio, tomou um pouco de conta da situação e, em 1993, chamou o rei de volta para lá, instalando uma monarquia constitucionalista no país. Até 1998 a situação continuou complicada, pois Pol Pot estava na floresta e seu fantasma ainda existia sobre os governantes. Em 1998 ele “morreu de ataque cardíaco” segundo as fontes oficiais. As conversas no Camboja dão conta de que ele foi é assassinado pelo atual primeiro ministro, Hun Sen. Estava, assim, pacificado o país, para que tentasse renascer das cinzas após um século tão conturbado quanto o XX.

Diferentemente de tantos outros locais históricos, onde tudo se passou há tanto tempo (por exemplo Berlim), Phnom Penh ainda tem nas ruas muitas pessoas que realmente viveram esses períodos. Aparentemente os temas ainda são bastante presentes por lá, apesar do povo não falar sobre isso facilmente. A gente consegue conversar um pouco, mas acho que é um tema que incomoda as pessoas…

Pensei, erroneamente, que o pessoal falasse um pouco de francês por lá e que essa língua, apesar de não dominante, ainda fosse fluente. Nem pensar. Eles falam e são alfabetizados em khmer (que tem alfabeto próprio). Os resquícios de colonização francesa são alguns restaurantes e os casarões na região central e beira rio. O hotel que ficamos, o ótimo The Pavilion, é uma dessas mansões restauradas…

Enquanto o tema está fresco, vamos começar por Tuol Sleng (ou S-21)

Tuol Sleng (S-21)

Pense no inferno. Pensou? Piore um pouco. Talvez assim você chegue próximo do que foi esse absurdo.

Tuol Sleng foi uma prisão de interrogatório, usada pelo Khmer vermelho para combater opositores do regime.

Como todos os governantes que tomam o poder na marra, o Pol Pot tinha mania de perseguição. E isso, obviamente, incluía TODO MUNDO. Então ele teve a brilhante ideia de transformar uma escola secundária em centro de interrogatório, tortura e genocídio (nem se pode falar em assassinato, porque as proporções foram absurdas). Ali ele executou todo o tipo de tortura psicológica, física e mental nos coitados dos cambojanos. Pelo que pudemos perceber nas placas, todo mundo era inimigo até prova em contrário. Não é que o cara pegava realmente inimigos e opositores e os maltratava. Ele fazia isso com todo mundo. Um jardineiro, um mecânico, um verdureiro, por exemplo, pessoas que nem politicamente engajadas eram, foram torturadas e assassinadas sob a desculpa de estarem a serviço da CIA. Um dos relatos que eu li lá, dão conta de um mecânico, que, diariamente torturado, confessou ser agente infiltrado da CIA. Era muito provável que ele não fizesse ideia do que era a CIA…

A prisão tem cinco prédios e cada um deles foi dividido para tipos de presos. As fotos são chocantes…

A lousa foi mantida, lembrando que aquilo tinha sido uma escola…

A prisão foi dividida em salas e cada sala de aula teve construídos muros que correspondiam a uma cela. Cada cela, de mais ou menos 2 m2, armazenada um homem ou mulher. Havia algumas de madeira e outras de alvenaria. Eram parcamente iluminadas, e com nula higiene. As pessoas ficavam acorrentadas, inclusive nas celas.

As camas serviam para tortura. As pessoas eram deixadas amarradas nessas camas para serem torturadas. Frequentemente morriam por lá. Um horror sem tamanho…

Essa gravura mostra um tipo de tortura a que os prisioneiros eram submetidos. Pelo que li nas placas por lá, eles desenvolveram (ou copiaram) uma técnica de “dobrar” as pessoas até um limite de quebra da coluna. Nesse ponto, tomados pela dor, os torturados desmaiavam. Aí os torturadores colocavam a cabeça dos torturados dentro de latrinas, para que eles acordassem rapidamente pelo odor. Neste momento de “plena consciência” eram inquiridos sobre sua colaboração com outros governos inimigos e etc…

Consta que a descoberta de Tuol Sleng ocorreu porque um fotógrafo vietnamita seguiu uma “trilha de corpos”…

Os últimos quatorze, que foram descobertos quando o local foi tomado, estão sepultados por lá… Isto, obviamente, foi uma sorte, já que os outros 20 e tantos mil que foram assassinados antes não tiveram, também, direito a um enterro digno.

Aí o leitor vai perguntar: peraí, você é maluco? Doido? Viaja 20 mil quilômetros para ficar vendo torturas e histórias horrendas? Que tipo de bicho te mordeu?

E eu respondo: nenhum. Eu simplesmente acho que pessoas demais já sofreram neste mundo para a gente achar que tudo está aqui deste jeito por acaso. Esta história, e a contada no campo de Sachsenhausen, por exemplo, devem servir de modelo para que essas coisas NUNCA mais aconteçam nesse mundo. É por esse motivo que as memórias existem. Para que esses absurdos não ocorram mais.

O Pol Pot, na minha opinião, é ainda pior do que o Hitler porque ele dizimou um terço do seu próprio povo. Hitler, pelo menos, dizimou um povo que ele não considerava como seus semelhantes. Pol Pot matou um terço dos khmers, gente da sua própria gente…

Enfim, o lugar me deixou revoltado, mas valeu a pena conhecê-lo…

Dos doze sobreviventes, quatro ainda estão vivos e ficam por lá. Se interessar a história deles, dá prá conversar na saída, perto da livraria.

O palácio e a silver pagoda

Saindo da parte “macabra” de Phnom Penh, a cidade também possui uma bela obra de arquitetura. Falo do palácio real.

Dizem que o palácio real de Phnom Penh é baseado no de Bangkok, só que em menor escala. Até achei que a arquitetura de ambos seja meio similar, mas o de Bangkok é muito maior…

O rei ainda mora por lá, por isso grande parte dos palácios é fechada (assim como em Bangkok, mas lá o rei não mora mais no palácio). Assim, a visita fica meio limitada aos jardins e à parte externa.

Vamos passear?

Taí a Naga, guardando o palácio, como em Angkor Wat…

Os palácios são muito bonitos (como se nota pelas fotos) mas a visitação interna é limitada. A silver pagoda (um templo budista de chão de placas de prata), por exemplo, não permite fotos internas (ainda vou entender isso um dia, o motivo de limitarem fotos internas em monumentos históricos). É um local bonito, faz parte do complexo e serve para orações.

Turisticamente, é um lugar relevante, daqueles que não se pode perder em uma viagem até lá. Mas o complexo não é grande e pode ser visitado rapidamente. Basicamente são dois lugares, o palácio e a pagoda com chão de prata.

E não é que eu queira meter o pau à toa não, mas como um país tão pobre como o Camboja pode se dar ao luxo de ter um palácio tão suntuoso? Os caras cortam a grama lá dentro e o povo morre de fome lá fora… Mas enfim…

Mercado Central

Amigo pechincheiro, amiga fuçadora… preparem-se! Essa é a meca do consumo cambojano. Eis o Mercado Central de Phnom Penh!

E o que que vende lá, seu blogueiro?

TUDO! Quer peixe? Tem. Quer joia? Tem. Quer comida? Tem. Quer fruta? Tem. Quer roupa? Tem. Quer acessórios para a casa? Tem. Enfim, tem tudo.

Dá prá gastar umas boas horinhas pechinchando e comprando todo tipo de quinquilharia. Quando fomos, havia um bazar do lado de fora em que estavam vendendo roupas masculinas de boa qualidade com aquele precinho camarada que só o Camboja tem…

O prédio é bonito, mas já foi ocupado de tudo quanto é jeito (interna e externamente). Lá, também, tivemos o privilégio de ouvir música brasileira da melhor qualidade, tipo exportação: garota tantão!

Pensamos, inicialmente, que se tratava de um mercado de frutas e legumes. Mas não é. As roupas são de baixa qualidade, estilo falsificações baratas. Mas existem coisas interessantes também. Compramos toalha de mesa de ótima qualidade, além de alguns outros objetos para casa. Vale o passeio por lá.

Como disse, ficaram faltando os Killing Fields (que segundo a moça me falou são piores do que Tuol Sleng) e o mercado russo. Ficarão para a próxima.

O que não vai ficar para a próxima é a vista do rio Mekong (o grande motivo que me levou para Phnom Penh):

Essa é a vista da janela do Blue Pumpkin, um restaurante/lounge excelente. Tem em Phnom Penh e em Siem Reap…

(Não ganho nada para falar bem de restaurante, ainda mais no Camboja…)

Vale a pena visitar, seja em Siem Reap ou em Phnom Penh. Eles possuem um delicioso shake de manga, além de pratos de ótima qualidade. Como tudo é muito barato no Camboja, dá até para frequentar o lugar toda hora…

Nossa outra experiência gastronômica foi neste outro acima. Comemos comida khmer neste bistrô, que fica na Sisowath quay, a avenida beira rio.

Até que para quem só ia dar uma “passadinha” por Phnom Penh, o passeio rendeu bastante… E eu já estou com saudades…