Vaticano – Os templos, museus, filas e a capela sistina

Por um lapso, um erro, um equívoco mesmo, este blogueiro saiu de Roma para Veneza e começou a Suíça sem passar pelo Vaticano. Um pecado, né não?

E o pior é que fomos duas vezes lá, já que a audiência papal era obrigatória e só ocorria às quarta-feiras. A questão é que eu já tinha marcado de ir aos museus na segunda, então…

E posso dizer que nem fiquei chateado por ir duas vezes ao Vaticano não. Pelo contrário. Vamos começar o passeio?

Em ordem cronológica, minha sugestão para visitar o reino do Papa é começar pelo museu do Vaticano na hora em que abrir, 9 da manhã. De lá, siga para a Basílica de São Pedro. E se puder, faça o Scavi Tour, para descobrir escavações feitas pelo Papa Pio XII que teriam encontrado o túmulo de São Pedro. Vou explicar um pouco sobre isso mais tarde.

E por que começar pelo museu?

Ora, porque é a atração mais visitada. Nem Torre Eiffel, Parlamento Inglês, Museu do Louvre, etc., que são atrações mundialmente famosas e visitadas têm uma fila tão insana quanto o museu do vaticano. É a pior fila que eu já vi na minha vida.

E justamente por isso comprar pela internet é FUNDAMENTAL (olha o link para o museu ali, ó). Não seja louco de chegar lá na porta sem ingresso para encarar a fila. O passeio pelo museu, que tomaria uma manhã de alguém medianamente interessado em história e um dia inteiro de alguém que goste do tema, se tornaria um martírio sem fim. Se você gosta ou não de história vai perder umas duas horas só para conseguir entrar.  Enfim, é um mico total. Compre isso pela internet, imprima o voucher e entre DIRETO, sem fila nem nada. É fantástico.

Corredor de entrada do museu

Engana-se quem pensa (eu mesmo) que lá só tem arte sacra e coisas ligadas à Igreja Católica. Tem muito disso, mas não só. Diria até que é um dos maiores depósitos de história da humanidade. Lá tem de tudo, de arte egípcia, sarcófagos, pinturas sacras e não sacras, objetos papais e objetos de época. Há pinturas que datam do século VIII, por exemplo.

Vamos passear pelas fotos lá de dentro:

Capela Sistina

Ah, e cadê a capela sistina, o leitor mais aguçado poderia perguntar?

Bom, são famosos os “shhhhhhhh” e “no photos” ditos pelos seguranças que ficam lá dentro. Assim, respeitando o lugar, optamos por não infringir as regras e tirar fotos escondidas.

Interessante é que, num museu daquele tamanho, uma pequena capela seja o local mais visitado. A minha dica aqui é vá direto para a capela na hora em que entrar. Se você seguiu meu conselho, comprou ingresso pela internet e marcou o primeiro horário, vai entrar às 9:00hs. E nesse horário a capela ainda não vai estar lotadíssima, apenas lotada. Vai dar tempo de se sentar em algum banco e ficar olhando para cima embasbacado, tentando entender como um gênio fez um trabalho tão magnifício daquele.

Vá pelo caminho mais curto (há placas em todo lugar) que será mais agradável. Passamos por ela duas vezes e na segunda o caminho foi muito mais complicado, difícil, longo e cansativo. A primeira ida foi melhor, pois fomos direto.

Basílica de São Pedro

Esse é o marco da igreja católica, o templo dedicado àquele responsável pela fundação da igreja de Cristo, o glorioso São Pedro.

Pois bem, é uma igrejona imensa, com muitos pequenos espaços dedicados aos mais diversos santos da igreja. Muito suntuosa, bonita e bem cuidada. Não custa nada para entrar. Lá embaixo estão enterrados muitos dos papas (a maioria, apenas uns dois ou três não estão) e seus túmulos podem ser visitados (mas não faça isso se você pretender fazer o Scavi Tour, que explico logo abaixo).

Vamos passear pela basílica?

Olha o São Pedro aí

A Pietá, com uma porta de vidro à frente

Quem tiver a possibilidade de visitar, verá como o lugar é cheio de gente e a dificuldade de se tirar fotos sem aquela cambada de pessoas juntas…

Há uma fila (imensa) para o mirante da basílica, que fica acima dela. Não encaramos a fila, já que preferimos passear pela parte debaixo dela…

O Scavi Tour

O amigo e a amiga que não são católicos ou cristãos podem achar isso uma bobagem. Eu, mesmo com toda a minha não mística, achei fantástico. Indendentemente da sua religião, vale a pena fazer o passeio. Clique no link que ele te redireciona para o site específico. Para quem tem preguiça de ler, é só mandar um e-mail para scavi@fsp.va, informando o número de pessoas, seus nomes, a língua de preferência (tem em português) e dados para contato (email e telefone). Depois eles te mandam um e-mail com um link em que você efetua o pagamento. Até o fim de 2012 é EUR 12 por pessoa). Em 2013, passará a custar (EUR 13). Sempre consulte o site para ter certeza.

O que é?

É um passeio por debaixo da atual basílica de São Pedro, mostrando escavações que foram feitas pelo Papa Pio XII, buscando encontrar o túmulo de São Pedro. Já te adianto que ele encontrou. Não podemos tirar fotos de nada.

Começamos o Tour no portão na Via Paulo VI. Saia da Praça de São Pedro pela esquerda (de frente para a basílica, à esquerda). Logo ali já verá um portão e guardas. É fácil de achar.

Chegue 10 minutos antes para procedimentos de segurança. Como tudo no Vaticano, use roupas adequadas (nada de blusa decotada, saia curta, bermudona, essas coisas).

Fizemos nosso Tour com um padre brasileiro muito educado e ótimo guia. Tivemos explicações detalhadas de cada lugar e como foram feitas as escavações. Para se ter uma ideia, embaixo da basílica era um cemitério romando e vemos todas as tumbas (com identificações de nomes) ali. Vale muito pela história de Roma e da própria igreja. Conhecemos a basílica anterior e a demonstração, pela própria igreja, do local onde seria o túmulo de São Pedro. Não é muito nítido e guarda certo misticismo (parte do pacote da igreja) mas vale a pena.

O final do tour é o local onde os papas estão enterrados (por isso disse para você não ir lá enquanto estivesse visitando a basílica).

Eu, que não sou religioso nem nada, recomendo o tour fortemente.

Audiência papal

Nosso querido papa Bento XVI, duas vezes por semana (normalmente quartas e domingos, mas cheque aqui para ter certeza), realiza aparições públicas. Às quartas, ele faz a audiência geral e aos domingos a bênção.

Na audiência o papa dá uma geral das atividades que ele realizou na semana e faz bênçãos em diversas línguas (português inclusive). Ele passeia com seu papamóvel pelos lados da multidão.

Vale muito a pena ir. São colocadas cadeiras na parte de fora da basílica onde nos sentamos. É muito calor, muito quente mesmo (se você for na primavera/verão, leve um chapéu). Para ficar ali não se paga nada, só é necessário passar um fax (isso mesmo, moçada, um FAX) para 39 06 6988 5863 com os dados. Segue aqui o link para pegar o formulário e mandar (em português)

Fotos externas e da audiência

Separe uma manhã para passar com o papa.

Vamos à Veneza?

Ma che piu bella città è Venezia! Ainda bem que inventaram o google translator para que a gente possa dizer o quão bela é a cidade de Veneza em italiano!

Seria difícil não se apaixonar por Veneza. No dia em que escolhemos visitá-la, já sabíamos que seria um ponto de contemplação da viagem. Um lugar para ficar parado e olhando, admirando uma das cidades mais sui gêneres do planeta. Sim, esse título, tem que ser de Veneza.

Em primeiro lugar porque em qual outra cidade você se locomoveria por barcos e gôndolas? Não há carros em Veneza. Ou se anda a pé, de gôndola ou de Vaporetto pelos canais maiores. Pelos menores, só de gôndola mesmo…

E o que tem em Veneza que nos apaixona tanto? Quando fomos ao Louvre (e haverá um post de Paris aqui) vimos um quadro da cidade, pintado nos anos 1600. E pudemos dizer que, salvo uma ou outra pequena alteração, a cidade permanece muito parecida com o que era na época. Fato é que se volta no tempo quando se visita Veneza: ao tempo medieval.

O barco acima é o Américo Vespúcio, uma imitação de caravela usada pelo famoso navegador…

A chegada em Veneza pode ser efetuada por dois caminhos: o primeiro e menos recomendável (que nós tomamos) é o aeroporto internacional Marco Polo. Não fica propriamente em Veneza, mas sim a mais de uma hora de barco (Alilaguna). Além de demorada, essa é a maneira mais cara de se atingir o centro histórico; o segundo (e mais recomendável) é pegar um trem até a estação Santa Lucia (que está em Veneza, não confundir com Mestre, que não está) e descer ali. Desta estação já se está no Grand Canal e se chega, em pouco menos de 20 minutos, à praça San Marco, centro de referência da cidade. Vindo de Roma, um trem bala te deixa em Veneza em 3 horas. Se fosse hoje, eu faria isso…

Onde ficar?

Esta talvez seja a maior dúvida do viajante à Veneza. Pois bem, minha opinião é a que deve se ficar em Veneza, no centro histórico, para se vivenciar o dia todo na cidade. Mas é fato que muitas pessoas se hospedam em Mestre, que fica a uns 30 minutos de Veneza, por questões de custos. Além disso, a cidade fica muito cheia durante o dia, com visitantes que provavelmente fazem bate-volta para lá e se vão pela noite. Veneza fecha às 22:00hs. Não há o que se fazer de noite por lá.

Nós ficamos no charmosíssimo Residenza de L’ Osmarim, que fica na Fondamenta de los Marin, ao lado de um dos canais e a 200 metros da Praça San Marco. Não consigo imaginar lugar melhor para se ficar em Veneza, seja pela localização, pelo estética e pela hospitalidade dos donos…

Nosso café da manhã

Como disse acima, se a ideia for visitar Veneza em apenas um dia (factível, mas não recomendável) os custos podem ser reduzidos ficando-se em Mestre, para de lá seguir a viagem. Mas eu não troco acordar ao lado de um canal por um passeio super convencional de ônibus…

Tá vendo essa plaquinha aí em cima? Prepare-se para encontrar muitas delas pela cidade. Agora é a hora de passear pela Veneza propriamente dita…

Comecemos por San Marco

Essa é a região da Basílica de mesmo nome, praça patrimônio mundial da Unesco e onde fica, também, o palácio dos Doges. Doges eram os líderes de Veneza, da época em que a cidade, importantíssimo entreposto comercial, exercia influência sobre todo o mundo. Manja aquele papo de comércio com o Oriente? É disso que estamos falando…

A cidade viveu períodos riquíssimos até a queda de Constantinopla, em 1453. A partir dali vieram as vacas magras, com a descoberta do caminho das Índias por outros navegadores. Isso tudo é muito interessante, mas vamos passear por lá, né?

Aqui temos visões de terra e do mar. É uma praça muito bonita, feita com muita pompa e circusntância, local de maior aglomeração de pessoas em Veneza. Existem muitos restaurantes por ali (caros) que te servem com vista da Basílica e das águas da lagoa de Veneza (parte do mar adriático onde fica a Basílica). Existem os famosos pombos, por todo lado. Ali também está o palácio dos Doges, que circunda toda a praça. Hoje existem exposições por ali e algumas lojas na parte debaixo. Toda a arquitetura é fantástica.

Palácio dos Doges

Restaurantes de dia

E de noite…

Ali é onde rolam todos os eventos de Veneza. É o coração da cidade. Vale a pena dar uma almoçada por ali (nem que seja um pão com queijo). Os fiscais da prefeitura implicam muito e não te deixam sentar em qualquer lugar. Mas sempre dá prá arrumar um banco. Ah, e dizem que é proibido fazer piquenique, mas todo mundo fazia e ninguém dizia nada!

Per Rialto

Esta outra simpática plaquinha aí te indica mais um dos caminhos de Veneza. Rialto é uma ponte que fica no Grand Canal. Para fins de localização, o Grand Canal corta Veneza mais ou menos ao meio. Dos outros lados, temos a lagoa do mar adriático. Pense como uma ilha com um rio que corta a parte de terra no meio. Esse é o Grand Canal.

Essa é a região mais comercial de Veneza. Ali existem lojas de todos os gostos e tipos, mas todas com alto preço. Há uma loja da Ferrari, com um carro montado lá dentro! E isso que as ruas são extremamente estreitas (o transporte dentro da cidade é feito por gôndolas e carrinhos) e com inúmeras pontes. Não sei como montaram esse carro.

Tá aí uma foto da ponte:

Vista da ponte, vindo pelo Grand Canal.

Vale a pena fazer um passeio de vaporetto ou de gôndola pelo canal para conhecer a arquitetura externa da cidade. Diria, até, que esse é um dos passeios a se fazer por lá.

A possibilidade de se perder é imensa e muito provável. Algumas pessoas dizem que o ideal é andar com um GPS por lá. Eu estava com dois mapas e havia momentos de desespero onde ficávamos completamente perdidos. A cidade é muito parecida, os prédios, idem, e as ruas muito curvas e tortas. Enfim, não é fácil se locomover. Aquelas plaquinhas acima são fundamentais na hora do aperto. Mas a cidade é facilmente caminhável. Diria que andamos um bom tanto dela…

Geralmente voltamos sempre para a parte do mar ou do canal e dali fazemos um caminho conhecido para se chegar ao destino. Mesmo assim, é bastante complicado se locomover.

O grande barato é justamente se perder pelas ruas e canais, aproveitar a arquitetura e o momento de se estar em um lugar tão interessante. O charme de Veneza consiste principalmente no fato de ser muito diferente de todas as outras cidades do mundo.

Existem, também, muitos restaurantes por lá. Atualmente acredito que seja a grande característica da cidade (o turismo). São mais caros que em Roma, e alguns cobram uma taxa de 12% de serviço, além do preço do cardápio (isso não é comum em Roma, por exemplo). Por isso, antes de se sentar, pergunte se existe essa taxa para não ser surpreendido depois.
Além de Veneza propriamente dita, existem as ilhas de Burano e Murano que produzem artesanatos de vidro de ótima qualidade. Não fomos até lá, mas para quem tiver uns dias a mais e quiser, fica também a dica.

Nos mapas, é possível se atingir uma parte de terra, que chamam Lido. Não tem nada lá, apenas uma parte terrestre de Veneza, mais nova e sem charme algum. Eu não iria de novo.

Além disso, também temos o Cassino de Veneza (fica no Grand Canal) e a Basílica e Nossa Senhora de la Salute (fica no começo do Grand Canal, vindo de San Marco). É uma bela igreja e ficar sentado em suas escadarias com vista ao canal é outro ponto interessante…

Uma última dica é sobre as pontes. Veneza tem pontes em todos os lados. É muito improvável que você ande para qualquer lugar dentro da cidade e não se depare com pelo menos uma delas. Todas têm degraus (pelo menos uns 4 ou 5 para subir e outros para descer) o que torna andar com malas pesadas um verdadeiro fardo. Dependendo de sua localização em relação à lagoa, você terá que passar por uma escada com muitos e muitos degraus. Nunca é uma boa ideia carregar malas pesadas por lá. Mulheres certamente terão muita dificuldade…

Faço uma série de fotos da cidade, para que o leitor aproveite. Mas sempre vale ver a cidade com os próprios olhos…

Roma – a cidade eterna tem muita historia prá contar

Roma… Roma… Roma… A cidade eterna certamente povoa os sonhos de todos os viajantes do mundo. É difícil encontrar alguém que queira ir para algum lugar e não tenha a capital dos italianos como um dos seus destinos favoritos. E esses viajantes têm razão?

É claro que sim. Roma não tem a organização de Berlim ou a facilidade de transporte de Zurique, mas tem o calor humano que os brasileiros adoram, além de mais atrativos turísticos (e históricos) do que a grande maioria das cidades do mundo. Afinal, em que lugar você encontraria as ruínas (bem ruínas mesmo) do Império Romano e a essência do cristianismo, juntos? Mesmo quem não é católico (ou cristão) tem que se curvar à magnanimidade do império papal…

Prática?

Roma não é uma cidade prática. Muito pelo contrário, aliás. O trânsito é um caos. O transporte público, difícil de entender. O metrô, praticamente inexistente. Porém isso tudo traz um charme especial ao lugar. Os italianos, de modo geral, são muito simpáticos e parecidos com os brasileiros na forma de se expressar. Isso facilita muito o contato com eles e torna a cidade uma das mais aprazíveis para se visitar, também no aspecto “calor humano”.

Roma também é uma das poucas cidades em que os passes são interessantes. O Roma Pass é meio esvaziado (Coliseu e a Galleria Borghese são opções), mas inclui três dias de transporte coletivo. Só de chegar na frente do Coliseu e não precisar pegar aquela fila quilométrica, o passe já vale a pena. Pague 30 EUR e seja feliz. Regras estão aqui.

Uma outra situação meio caótica é o próprio aeroporto. Fiumicino é uma outra cidade. Assim, um táxi para lá é meio caro (40 EUR). O aeroporto, apesar de muito grande, também não prima pela organização. As esteiras de bagagem, por exemplo, são um problema, assim como em Guarulhos, só para ficar no exemplo.

É algo com o qual estamos acostumados. As soluções funcionam “mais ou menos”. Existem ônibus para se sair do aerporto e até um trem expresso, que demora um pouco, mas chega em Termini.

Quanto ao melhor lugar para se hospedar, não tenho dúvida: Trastevere! É “do lado de lá do Rio Tevere” (Tibre para os brazucas) e onde ficam as charmosas cantinas italianas. Além disso, é relativamente perto do Vaticano e do Coliseu (não tão perto e com fácil acesso quanto o Termini, mas mais interessante). O Termini é degradado e feio. Se você vai bater perna o dia inteiro e cair na cama de noite, pode até achar o Termini melhor. Se quiser viver um pouquinho a cidade, fuja de lá.

Vamos passear por Roma?

Nosso tour vai começar naquele que talvez seja o maior símbolo de Roma: o Coliseu:

O Coliseu é um marco em Roma? Sim, é claro. Tem muita história? Obviamente. Fez parte de um daqueles momentos em que a humanidade deveria envergonhar-se de seus atos, mas que não pode ser esquecido sob pena de ser repetido algum dia (acho isso difícil, mas vai saber)? Certamente!

O Coliseu, também conhecido como Anfiteatro Flaviano ou Flávio, é um anfiteatro construído no período da Roma Antiga, inaugurado entre 79 e 81 d.C. Sabe aquela história da política do pão e circo, tão falada na escola e que AINDA hoje é repetida pelos políticos brasileiros? Então, o maior expoente disso é o nosso Coliseu. Foi construído como um lugar de diversão, onde eram realizados não só os famosos combates entre gladiadores, mas também caçadas a feras e até batalhas náuticas! Na época da perseguição aos cristãos foi palco de grandes martírios onde esses cristãos eram literalmente jogados às feras! Diversões bastante sadias, como se pode notar.

Por dentro, o que se vê hoje é a estrutura de “backstage“, do local. Aquilo ali era a parte que ficava embaixo da arena. Ela era de madeira e ficava por cima desses dutos e caminhos que se vê agora. No final, uma das fotos mostra a arena, como era na época…

Muita gente diz que fica triste quando entra lá e sente uma emoção forte por todas as almas sacrificadas. Realmente a história é cruel, mas precisa ser contada… Hoje em dia existem diversos símbolos católicos e o próprio papa passa por ali na Via Crúcis realizada na sexta-feira santa…

Olhando à oeste, temos o Arco Constantiniano. É um arco do triunfo celebrando a vitória de Constantino sobre Maxêncio. Está fechado com grades e um portão. Embaixo dele há representação da batalha, mas como está todo cercado…

Saindo do Coliseu temos o Fórum Romano. O mesmo ingresso vale para os dois… O Fórum Romano foi o maior entreposto comercial da Roma Antiga. Ok, tem seu valor, afirma a existência de espaços urbanos em Roma, demonstra organização social… Mas hoje é um emaranhado de pedras sobrepostas, jogadas e colocadas de qualquer jeito, numa área enorme. Sinceramente, na minha opinião, é um mico. Vou chamá-lo de mico no 1, porque ainda teremos outro…

À frente do Coliseu existe um outro espaço aberto, com escavações, onde era o Circo Máximo. Nada para ver, apenas uma praça verde usada pelos romanos para lazer. Outrora foi um lugar de corrida de bigas e diversão. Dá prá imaginar o que significava “diversão” para os romanos, pelo relato que fiz do Coliseu…

Praças

Saindo um pouco das ruínas do centro de Roma, temos as aprazíveis e belíssimas “piazzas” (praças). Vamos começar pela Navona:

Muito bonita e feita em forma circular. Seu espaço já havia sido usado pelos romanos antigos, como comprovam as escavações feitas abaixo do local onde hoje ela fica. Aliás, a cidade de Roma atual é construída camadas acima das antigas. Existem muitas “Romas” por baixo da atual…

Vale um passeio e umas fotos. A embaixada brasileira fica nela, além de estar no caminho para a Fontana di Trevi.

Fontana di Trevi

Posso dizer que a Fontana di Trevi foi uma belíssima surpresa. Eu esperava uma fonte pouco maior do que um chafariz e me surpreendi com o tamanho, grandeza e beleza do lugar. Dá uma olhada prá você ver:

Já tinha visto umas fotos, mas não imaginava que fosse tão grande… Um lugar extremamente concorrido (muitos turistas) e belo. Estava com um pouco de sol e impressionava a cor da água. Jogamos umas moedinhas por lá e tomamos um sorvete nas escadarias. Muito bom.

Saímos de lá e passamos no Pantheon italiano. Túmulos de reis e famosos. Parada para fotos.

As próximas duas praças daria para ter feito à pé, mas estávamos muito cansados e desencanamos. Pegamos o metrô e fomos conhecer a Piazza di Spagna…

e a Piazza del Popolo…

Todas muito bonitas (peço desculpas pelo foto da Piazza di Spagna, mas era a única que eu tinha só do lugar).

Acabou? Que nada, ainda tem um outro belíssimo monumento.

Esse aqui é o Monumento Nazionale a Vittorio Emanuele II. Esse rei é considerado o pai da pátria italiana, pois foi o primeiro depois da unificação. Há diversas menções a ele na cidade, inclusive seu túmulo,que repousa lá no Pantheon.

O meninão é feito inteiro de mármore nacional (italiano, é claro) e muito pomposo. Abriga, também, o túmulo do soldado desconhecido…

O museu nacional da unificação e sobre a segunda guerra também ficam no local.

Taí o reizão, sempre montado no seu cavalo…

Igrejas

Além do próprio Vaticano (que será tratado em post separado) Roma possui diversas igrejas. Visitamos a basílica de San Giovanni Luterano, que é a igreja do papa (pois é, o sumo pontífice tem uma igreja prá chamar de sua). Bonita, mas não se compara com a basílica de São Pedro…

Aqui uma estátua a São Francisco de Assis, ao lado da basílica

Além dela, visitamos a Basilica de Santa Maria in Cosmedin. Essa é aquela igreja onde fica a Boca da Verdade. Prá tirar foto, custava 50 centavos, então só tiramos nossas próprias. Essa aqui eu peguei da internet:

Prá quem não sabe, a boca da verdade era um lugar em que as mulheres testavam a fidelidade na idade média. Se rolasse uma traição, a boca cortava a mão da infiel…

Vale uma visita ainda à Santa Maria de Trastevere e à Igreja que fica na Isola Tiberina. Há fotos da igreja de Trastevere no final do post…

Termas de Caracala

Prá mim, esse é o mico no 2 da viagem a Roma. Lembram-se do Roma Pass? Pois é, ele dá direito a duas visitas grátis a museus e só tínhamos ido ao Coliseu. Como minha esposa não estava a fim de ir até a Galleria Borghese, tivemos que gastar isso indo até alguma outra ruína. Escolhemos as Termas de Carcala, já bem cientes (depois do Fórum Romano e do Circo Máximo) de que o lugar tinha um altíssimo pontencial de ser um mico. Não nos enganamos.

A história do lugar é interessante: Nosso querido imperador Caracala, entre 212 e 217 resolveu construir um local para banhos termais. Fez um prédio que poderia receber 1500 pessoas ao mesmo tempo, nas suas piscinas e recintos molhados (vamos chamar assim). Existiam diversas esculturas romanas, chão de mosaico e até bibliotecas! O lugar era um luxo, é claro, pois foi feito para imperadores.

O problema começou com o declínio do Império Romano. Cada povo que os conquistava destruía e pilhava um pouco dos lugares. Esse daí foi muito pilhado e não tem nada para mostrar, a não ser as ruínas do que seria o prédio principal…

Os mosaicos que ficavam no chão das “piscinas”

Uma ideia do que era o lugar:

Agora vou concluir fazendo um apoio e uma crítica aos romanos. Em primeiro lugar, devemos levar em consideração que Roma talvez tenha o maior passivo histórico relevante do mundo atual. Aconteceu muita coisa ali e em qualquer lugar onde se cava um buraco aparecem ruínas. Isso não é fácil de se lidar. Eles ficam com toda a história da civilização ocidental sob seus pés. Convenhamos que esse não é um fardo tranquilo de se carregar.

Minha crítica incide justamente nesse aspecto. Eu sei que lugares históricos não podem ser restaurados plenamente, pois seu valor repousa justamente na história que carregam. Porém o Coliseu, só para ficar num exemplo, já está muito restaurado e com partes e colunas bem mais modernas do que as originais. Só assim para aguentar o fluxo de turistas que diariamente visita o lugar. Será que seria muito custoso para eles fazerem uma parte restaurada (só um pedaço, que fosse) mostrando como aquilo era originalmente? O Coliseu ainda está de pé e vale a visita, mas essa restauração histórica tornaria muitos dos outros monumentos romanos mais interessantes de se visitar. Do contrário são só colunas, pedras e muita imaginação para tentar recriar o que acontecia ali…

Despeço-me da agrabilíssima Roma com fotos de Trastevere, onde ficamos. Altamente recomendável…