Siem Reap (Angkor Wat) – Do you need a massage, sir? Just one dollar!

Se você chegou até aqui pelo google, não deixe de passar por este post para entender como planejar o seu roteiro pelo sudeste asiático…

Você está diante do post mais importante desta viagem. O motivo; o que me levou para uma viagem de 24 horas até a Ásia e ao passeio pelo Camboja. E não me decepcionei, com certeza.

Este é um daqueles lugares que não te dá a real noção do que ele é até que você vá embora prá casa, veja as fotos e pense um pouco sobre o que viveu lá. Um breve passar de olhos por elas já me levou de volta ao Camboja, um lugar que certamente ficará guardando para mim como um dos inesquecíveis da minha vida.

Primeiramente, porque o povo do Camboja (já elogiado no post de Phnom Penh e no preparatório para o roteiro asiático) atinge seu ápice de simpatia em Siem Reap. Do motorista de tuk-tuk até os atendentes do hotel; das pessoas que nos servem nos restaurantes até os vendedores no mercado central; dos que nos oferecem massagem a todo lado e nos vendem os cacarecos pelas ruas: todos são fantásticos, simples e simpáticos. São a melhor coisa que existe lá.

Mas não é só isso. É o melhor sítio arqueológico que já visitei na vida! A conservação de Tulum ou de Chichen Itzá não passam nem perto do que vimos nas ruínas da civilização Angkor. O nível das construções está em bom estado de conservação, apesar de tudo.

Dicas iniciais

Não passei essas dicas em Phnom Penh para passá-las aqui, acreditando que este post será mais visualizado do que aquele…

Para entrar no Camboja, brasileiros podem obter o visto na chegada (visa on arrival). Em 2013 custava 20 USD. É obtido nos aeroportos e não tem galho. Quando se chega o sujeito já te indica para a fila específica e te faz pagar a taxa. Sem perguntas.

Roupas leves. Sempre elas. Aqui, como em Singapura, o calor tem as fases de insuportável e totalmente insuportável. Além disso, existe uma poeira chata que sempre nos acompanha. Os sítios são todos na terra e a pavimentação é apenas na rodovia central. Seu pé ficará encardido se você resolver ir de chinelo. Vá de tênis velho de cor escura que não tem erro. Além disso, use roupas o mais leve possível. Exceto Angkor Wat (o templo propriamente dito) que exige “vestimentas apropriadas” (bermuda abaixo do joelho para homens e mulheres e camiseta cobrindo os ombros) e um ou outro ponto específico, a maioria não exige nenhum tipo de traje comportado. Vá confortável. E não se esqueça de levar um chapéu ou boné e de muito protetor solar!

Existem alguns circuitos pré-definidos (Grande e Pequeno) que os tuk-tukers gostam de fazer. Além deles, há outros templos espalhados pela região, que podem te interessar. Nós não nos ativemos a nenhum circuito definido: fizemos o que aguentamos e achei mais importante. Olhar um mapa para ter noção do lugar é bastante interessante.

Dá prá ir de tuk tuk, de bicicleta, de carro alugado ou de van. Cada um sabe o que prefere, mas saiba que a bicicleta vai te limitar apenas a Angkor Thom. A não ser que você seja um estradista, que tope 40 ou 50 km de pedalada até os lugares mais distantes. O tuk tuk é tranquilo e mais em conta (entre 20 e 25 USD por dia tá bom). Se quiser contratar um guia, espere mais uns 25 USD. Normalmente, em alguns lugares, eles se oferecem para te explicar aquele templo específico. Como eu tinha lido que a maior parte dos guias não compensavam, optei por não contratar, mas em Bayon um guardinha nos pegou para explicar tudo e levou uma gorjeta. Tiramos fotos muito legais por lá, as chamadas “funny pics”. Os carros são mais confortáveis e possuem ar condicionado, o que é uma vantagem naquele calor absurdo. Assim, se você quer conforto, pode também pensar num carro por uns 40 USD. De resto era só dar uma lida no seu roteiro e guia para tentar entender um pouco da história e beleza.

Quase todo mundo que viaja para lá tem um grande tuk-tuker para indicar. É o que eu disse sobre o fato de a população ser altamente simpática o tempo todo. Em cada blog que a gente entra o dono indica um, dizendo que o Sr. fulano é fantástico, que ele faz isso, conhece aquilo, etc. Para não fugir da regra, indico o meu tuk-tuker (que ficou com a gente o tempo inteiro) como um dos ótimos de lá. Pode ir na recomendação que não tem erro: Apresento-lhes, o sr. Pheng.

Ele tem até site próprio, com recomendações de clientes…

Alguns tuk-tuks de lá são mantidos por estrangeiros e existem até os adotados por casais e grupos. Sempre levando em conta que estamos num dos lugares mais pobres do mundo…

Vamos para os templos, que depois a gente passeia pela cidade. Antecipo que vou falar um pouco da história, mas sem muitas delongas. Senão o post fica muito chato com muitas explicações minuciosas. Quem se interessar por um templo específico, certamente encontrará mais informações nos seus guias…

A civilização Angkor e Angkor Thom

Diferentemente de outros sítios arqueológicos em que a gente vai para um lugar e vê tudo lá, Angkor Wat é apenas uma pequena parte de uma região imensa de templos. Pelo mapa, você pode notar que existem muitos templos próximos de Siem Reap possíveis de ser visitados. Vamos tratar de um raio de uns 70 km de templos, apenas naquela região.

Assim, como eu disse, planejar é essencial. Cada um faz o roteiro que mais gosta, porém alguns tempos são essenciais. Vamos falar deles?

Historicamente falando, o templo de Angkor Wat precede Angkor Thom. O primeiro é do início do século XII e o segundo foi construído entre o final do século XII e início do XIII. Além deles, outros templos foram construídos em outras datas.

Angkor Wat

A cereja do bolo, o “must see”, a figura da bandeira e do dinheiro. O lugar não significa pouco, não. Foi construído pelo rei Suryavarman II, no início do século XII para ser a capital administrativa do império khmer. É, ainda hoje, considerado o maior templo religioso do mundo.

E não é por menos. Está muito bem conservado. Possui cobertura em grande parte de sua estrutura e suas paredes ainda guardam muito da época de sua construção. Mas aqui precisa ser feito um adendo.

Os reis khmer transitavam entre o hinduísmo e o budismo. Cada rei que assumia tinha suas próprias crenças e construía templos para os seus deuses. Mas não era só isso. Ele também se encarregava de trocar os deuses que ficavam nos templos já construídos, pelos seus próprios. Assim, os templos foram muito depredados até mesmo em datas próximas de suas construções. A figura do buda sentado era trocada pela de shiva meditando e vice-versa.

Angkor Wat foi, orginalmente, um templo hinduísta. Assim, as figuras desenhadas nas paredes eram de Shiva. Quando o rei rei Jayavarman VII (guarde esse nome que ele fez coisa prá caramba por lá) assumiu, ele se converteu ao budismo e mandou arrancar as figuras de shiva, trocando pelas de buda (sentados, ambas figuras guardam proximidade geométrica, por isso os espaços eram ocupados com alguma simetria). E isso ainda ocorreria mais algumas vezes, já que Jayavarman VIII era hinduísta e mandou voltar com as figuras de shiva, até que o último rei antes do abandono, Srindravarman, ex monge budista, adaptasse o templo ao budismo Teravada e assim ele ficou (e você aí pensando que só no ocidente que o pessoal se matava nas cruzadas por religião, hein?)…

Vamos às fotos?

Chegando

Guardado pela Naga

Apsarás

Aqui acontece o famoso nascer do sol. É concorridíssimo. Muitas pessoas (menos nós) acordam às 3:30 da manhã para vê-lo. Infelizmente eu não estava nesta vibe. O pôr do sol por aqui também é bonito, mas aí quem não colaborou foi o tempo, que estava meio fechado e não nos permitiu vê-lo. Teve um segundo pôr do sol num outro templo, que também não foi legal. Aquela semana estava meio nublada…

Com toda a história e mística, Angkor Wat é O TEMPLO de lá. Esse aí, tem que estar no roteiro…

Angkor Thom e Bayon

Angkor Thom foi construída pelo rei Jayavarman VII (lembra dele, o budista) para ser a nova sede do reino khmer. Ele fortificou a cidade, que é toda murada. Possui 5 portões, já que o lado leste tem dois. É um grande espaço, com alguns lugares legais para se ver, como o terraço dos elefantes e o do rei Lemper.

Ali fica outro templo interessantíssimo de se ver: Bayon.

É conhecido como o templo das faces, já que ele possui 216 faces diferentes  do próprio rei, segundo alguns estudiosos. Como Angkor Wat, também foi trocado várias vezes de religião – nasceu budista, virou hinduísta e terminou budista de novo…

É outro templo que tem que ser visto. Está bem conservado e suas faces são muito intrigantes. Ali a gente consegue fazer várias fotos engraçadas, face a face com o rei e etc. É próximo de Angkor Wat e de Siem Reap.

As sempre presentes apsarás

Aqui fica uma explicação, já que é impossível ir a um lugar desses sem entender minimamente sua cultura. As apsarás são figuras mitológicas hindus e budistas que correspondem a espíritos femininos das nuvens e das águas. São símbolos de fertilidade e têm como missão guiar os guerreiros mortos em combate ao paraíso e casarem-se com eles.

Há representações de apsarás em todos os templos que fomos. Elas são onipresentes e cada uma de uma forma diferente. Há templos em que há milhares, cada uma numa posição diferente…

Visitar Bayon e suas faces certamente tornará a viagem mais rica!

Ta Prohm e Banteay Kdei

Bom, bom, bom. O pessoal que gosta de cinemas e jogos deve ter ouvido falar desses dois, principalmente o primeiro. Ali foi gravado Tomb Raider. A Angelina Jolie também é uma das responsáveis pelo aumento do turismo no Camboja e por tê-lo tornado um destino “popular”.

Esses dois templos ficam fora de Angkor Thom, à sua direita (visto de frente). Coloquei-os juntos, no mesmo post, porque guardam algumas semelhanças. A principal delas, visível pelas fotos, é o fato de ambos terem sido deixados mais ou menos como quando encontrados, com várias árvores tomando o espaço dos templos. Ambos são exemplos de como a natureza tomou Angkor. Dizem que todos os outros também foram encontrados desta forma. Assim, foram deixados para que os visitantes tivessem essa noção um pouco diferente, apesar de haver reformas no lugar que visam dar uma limpada no visual.

Lembram-se do Jayavarman VII, que eu fiz menção em Angkor Wat? Então, ele mesmo é o responsável por estes dois templos, ambos construídos do meio do século XII até o início do XIII.

Segundo a wikipedia, esses templos não são tão adornados quanto outros nas paredes. Sinceramente, não percebi tanta diferença não. As apsarás estão lá, buda também, e os desenhos em baixo-relevo, idem. A construção foi feita com arenito de baixa qualidade, o que explicaria um pouco da atual situação do templo. Também aquela velha conversa dos iconoclastas e sua invariável busca por destruir tudo o que remetesse a um deus que não fosse o seu, explicam um pouco da depredação ocorrida lá.

Além disso, é importante ressaltar que muitas técnicas diferentes já foram utilizadas na tentativa de restaurar o sítio. E nem todas foram realizadas de maneira adequada. Alguns indianos, no início da restauração (e isso é geral para todos os templos), utilizaram ácidos corrosivos que, na tentativa de limpar as pedras, as deterioravam. Assim, há algumas falhas em todos os templos, causadas por esta tentativa fracassada.

Atualmente, eles buscam causar o mínimo de dano ao sítio, com técnicas de restauração mais modernas que visem a preservar as pedras e suas esculturas.

Vamos a algumas fotos dos templos?

Ta Prohm

Banteay Kdei

Em Ta Prohm é mais nítida a presença da natureza. Banteay Kdei também tem árvores, mas está mais “limpo”…

Banteay Srei (ou Srey)

Disseram que em khmer, Banteay Srei significa “cidade das mulheres ou da beleza”. De qualquer modo, esse templo é conhecido como Templo das Mulheres e foi o mais afastado que visitamos (eu já tinha lido sobre ele na internet, mas o nosso tuk-tuker, mesmo ciente da distância, fez questão de nos levar até lá).

Ele fica uns 35 km longe de Angkor Thom. Portanto, prepare-se para muita poeira pelo caminho e uma demorada viagem (35 km de tuk-tuk é uma hora e mesmo de carro, com estradas pequenas e apertadas, leva bastante tempo).

O templo tem uma coloração avermelhada de arenito e é bem pequeno. Um dos mais facilmente percorridos de lá. Em comparação com os outros, é quase um “mini templo”. Mas nem por isso não merece ser visto. Aliás, pelo contrário: ele MERECE ser visto.

Foi construído não por um monarca, mas por um conselheiro chamado Yajnavaraha no reinado de Rajendravarman II, em meados do século X. É, portanto, um templo que precede Angkor Thom, Angkor Wat e a região mais próxima da atual Siem Reap. Tem origem hinduísta e é dedicado a Shiva.

Vamos ao templo: ele é feito todo de arenito vermelho, diferente, portanto, de todos os outros. É ricamente decorado com apsarás e cenas de batalhas da religião hinduísta. É cercado por um lago. Enfim, vamos às fotos para maiores esclarecimentos…

Certamente foi um dos templos em que eu mais tirei fotos. Apesar de pequeno, a arquitetura e decoração são muito bonitas e adornadas. Imaginar aquilo em seu auge foi muito interessante….

Outros templos

Estes não foram os únicos templos que visitamos. Não fizemos os pré angkorianos (que são muito distantes), apenas os que estavam mais próximos de Siem Reap. Visitamos, ainda, Preah Kahn (que é outro com árvores, contemporâneo de Banteay Kdei e Ta Prohm – e que eu gostei muito mais do que de Banteay Kdei) e vimos o pôr do sol em Phnom Bakheng (Phnom, em khmer, quer dizer colina) que era no alto de uma montanha (é outro que exige vestimentas adequadas para se visitar). Esse templo é muito procurado para o pôr do sol. Subimos até lá, mas, como já disse, o tempo estava meio nublado e não deu para ver um pôr do sol perfeito. Foi meia boca. E a subida é forte (principalmente depois de um dia inteiro de templos e sobe e desce). É cansativo!

Deixo umas fotos de lá para ilustrar…

Siem Reap (a cidade)

Ufa! Depois de tanto caminhar por templos; subir e descer escadas; comer poeira, enfim, todo o périplo que um sítio arqueológico exige, chegamos na cidade de Siem Reap. O que fazer?

Em primeiro lugar, eu sugiro que se pegue algum hotel com piscina. Tudo lá é barato e, exceto o pessoal que tem alma de mochileiro, sugiro que durmam em algum bom hotel da cidade. O Golden Temple, onde ficamos, é altamente recomendado.

A cidade de Siem Reap não tem muitos atrativos. Pelo que notei por lá eles estão objetivando dar mais opções ao turista que vai para lá (para aumentar o número de dias dos visitantes, que normalmente se restringe a um ou dois), com passeios por campos onde havia minas, passeios com elefantes, etc. Interessante, também, é que seu hotel esteja próximo da Pub Street e do Mercado Central. Senão vai ficar complicado fazer as coisas legais que o lugar oferece.

A Pub Street fica ao lado do mercado central. É uma rua movimentada, com muitos restaurantes, bares e cafés. Encontra-se culinária internacional de boa qualidade por lá. É só escolher um lugar para sentar!

Uma das, infelizmente, muitas bandas de mutilados por minas terrestres…

O mercado central de lá é muito bom e não é necessário passar por Phnom Penh se o objetivo for exclusivamente comprar coisinhas. Fomos aos dois mercados e, sinceramente, quase tudo o que tem em um, tem no outro….

Passear por ali de noite, depois de um dia repleto de atividades é extremamente agradável e aprazível…

O fim

Quando dissemos que íamos ao Camboja, muitas pessoas nos olharam estranhamente, perguntando: o que vão fazer lá?

Nós mesmos, quando partimos, sentimos um pouco de receio em relação ao que iríamos encontrar por lá. Já podemos nos considerar viajantes de média quilometragem, então não nos surpreendemos facilmente com qualquer perrengue… O que posso dizer a todos é: Visitem o Camboja! Não há lugar com pessoas mais amáveis no mundo! Há boa qualidade de comida internacional (porque a asiática é complicada) e boa estrutura turística. Não me senti inseguro em lugar nenhum. As pessoas estão sempre prontas a nos ajudar e há um inglês razoável (eu disse razoável, não perfeito) em quase todos os lugares. É mais fácil para um estrangeiro visitar o Camboja do que o Brasil, com certeza. Neste quesito, o índice de inglesabilidade das pessoas por lá é muito maior!

Além disso, eles possuem um dos sítios arqueológicos mais interessantes do mundo (se não o mais). Os aeroportos são bons, e as companhias aéreas que fazem os vôos por lá, confiáveis.

É claro que a estrutura do país é precária e a população, infelizmente, paupérrima. Mas isso vai mudar com o tempo (espero) já que o turismo para lá só aumenta e é fonte de renda para muitas pessoas. Não hesito em dizer: Visite o Camboja. Sua vida nunca mais será a mesma*

*Não recebo nada, de nenhum lugar, para recomendar destinos. Quando isto ocorrer (se ocorrer algum dia) será avisado no início do post.

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