Interlaken – De como não subimos no Top Of Europe

Machado de Assis, nas Memórias Póstumas de Brás Cubas, dedicou, a um capítulo, o título “De como não fui Ministro D’Estado”. E o deixou em branco.

Até tinha pensado em fazer a mesma coisa aqui, mas achei que o caráter literário daquela obra não caberia num blog de viagens. Iam dizer que eu era maluco.

Nossa passagem pela Suíça teve quatro destinos. De dois eu já falei (St. Moritz e Zurique). O terceiro foi Interlaken, ponto de parada para subir ao Top of Europe, que é a montanha mais alta do continente. A Jungfraujoch virou um parque de diversões no gelo, com diversas atividades lá em cima. A principal delas, por óbvio, é a visão panorâmica dos Alpes.

Interlaken

É uma charmosíssima cidade Suíça localizada no cantão de Berna (ainda alemão, portanto) com população fixa de 5300 habitantes. Interlaken significa entre os lagos e é justamente isso que ela é. Uma cidade entre os lagos de Thun e Birenz.

Uma coisa interessante que notamos na Suíça é que tem muita gente que fala português por lá. Não brasileiros, mas portugueses. Em St. Moritz, como já relatei, o nosso garçom era da terrinha. Em Interlaken não encontramos, mas segundo a wikipedia e um censo realizado por lá, quase 4% da população do local fala a nossa língua.

Diferentemente de St. Moritz, que era uma cidade fantasma no verão, isso não ocorre com Interlaken. Por causa do JungFrau muitos turistas procuram a cidade em todas as estações do ano, o que sempre dá movimento. A cidade é muito limpa, charmosa, bela e bem cuidada. Fotos de porta retrato. Quem conhece Gramado ou Campos do Jordão pode tirar uma base.

Existe uma avenida que corta a cidade de leste a oeste. E umas duas ou três ruas para cada lado dessa avenida. A estação onde se embarca para o Jungfrau é a Interlaken Ost (Leste) mas a maior parte dos hoteis fica na West (Oeste). Elas distam mais ou menos 1,5km e são servidas por ônibus que fazem o trajeto em 5 minutos. Os trens também sempre param nas duas.

Nesta avenida existem lojas e restaurantes, um belíssimo hotel e praças e mais praças verdes e belas. O rio que liga os lagos de um azul fantástico também dá as caras por ali. Vamos dar uns rolês por fotos:

Esta última foto é da região da Interlaken Ost

Grindelwald e Lauterbrunnen

Bom, o top of Europe (aquele que não fizemos, não rolou no nosso primeiro dia). Como estávamos de carro e um dos passeios que faríamos subindo seria parar nos vilarejos alpinos, decidimos pegar o nosso carro alugado e ir até lá. Uma chuva super chata nos acompanhou o tempo todo e diminuiu nossa paciência para passear. Ainda assim fizemos fotos:

Grindelwald tem 4.166 habitantes e Lauterbrunnen 3.288. São típicos vilarejos alpinos suíços, muito organizados e bonitos. Esses dois, no passeio completo do Jungfrau, são paradas obrigatórias. Dá prá ir de carro até eles (existem estacionamentos enormes próximos às estações de trem de ambas cidades) mas não compensa. A subida ao topo pode ser feita por uma cidade e a descida por outra, tornando o passeio mais aprazível. Deixar o carro lá necessariamente faria o caminho ser o mesmo e faria o viajante não conhecer uma das duas.

São cidades pequenas, com lojas voltadas para turistas. As casas são espaçadas e existem criações de vacas, etc. A vida parece bem pacata e calma.

Vão umas fotinhas: primeiro de Grindelwald

Um dos estacionamentos, acima

E Lauterbrunnen

Trem, no caminho

Fiquei com a sensação de que Lauterbrunnen é mais bonitinha do que Grindelwald. Mas essa percepção pode estar viciada, já que em uma delas estava chovendo uma chata garoa fina e na outra não. Enfim, vale conhecer as duas se for possível.

O Top of Europe

Bom, não posso reclamar da sorte. Tivemos uma sorte enorme em St. Moritz, quando vimos neve pela janela, uma boa vista panorâmica do alto do hotel e muitas fotos de montanha. Em Interlaken, contudo, essa mesma sorte não nos sorriu. Acordamos no dia seguinte tentando mais uma chance de subir e não teve jeito. O nosso hotel, o Alphorn, tem uma câmera lá no restaurante que fica no topo do Jungfrau. A visibilidade era péssima, a chuva, intensa. O passeio custa mais de R$ 400 (200 Fr. mais ou menos) por pessoa. Subir para não ver nada é uma situação impensável. Desistimos da ideia e optamos por tomar o caminho para Berna (que não estava nos planos) e de lá para Genebra.

Para o leitor que quiser conhecer o circuito do Top of Europe é circular. É um passeio de trem de umas duas horas que te leva a um parque nas alturas. Não compensa subir se a visibilidade for baixa. Para informações mais práticas, o fantástico Ricardo Freire no seu Viajenaviagem teve mais sorte que eu.

Seguimos para Berna após uma aprazível estada em Interlaken, com muito chocolate suíço, fondue e lindas fotos…

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