Roma – a cidade eterna tem muita historia prá contar

Roma… Roma… Roma… A cidade eterna certamente povoa os sonhos de todos os viajantes do mundo. É difícil encontrar alguém que queira ir para algum lugar e não tenha a capital dos italianos como um dos seus destinos favoritos. E esses viajantes têm razão?

É claro que sim. Roma não tem a organização de Berlim ou a facilidade de transporte de Zurique, mas tem o calor humano que os brasileiros adoram, além de mais atrativos turísticos (e históricos) do que a grande maioria das cidades do mundo. Afinal, em que lugar você encontraria as ruínas (bem ruínas mesmo) do Império Romano e a essência do cristianismo, juntos? Mesmo quem não é católico (ou cristão) tem que se curvar à magnanimidade do império papal…

Prática?

Roma não é uma cidade prática. Muito pelo contrário, aliás. O trânsito é um caos. O transporte público, difícil de entender. O metrô, praticamente inexistente. Porém isso tudo traz um charme especial ao lugar. Os italianos, de modo geral, são muito simpáticos e parecidos com os brasileiros na forma de se expressar. Isso facilita muito o contato com eles e torna a cidade uma das mais aprazíveis para se visitar, também no aspecto “calor humano”.

Roma também é uma das poucas cidades em que os passes são interessantes. O Roma Pass é meio esvaziado (Coliseu e a Galleria Borghese são opções), mas inclui três dias de transporte coletivo. Só de chegar na frente do Coliseu e não precisar pegar aquela fila quilométrica, o passe já vale a pena. Pague 30 EUR e seja feliz. Regras estão aqui.

Uma outra situação meio caótica é o próprio aeroporto. Fiumicino é uma outra cidade. Assim, um táxi para lá é meio caro (40 EUR). O aeroporto, apesar de muito grande, também não prima pela organização. As esteiras de bagagem, por exemplo, são um problema, assim como em Guarulhos, só para ficar no exemplo.

É algo com o qual estamos acostumados. As soluções funcionam “mais ou menos”. Existem ônibus para se sair do aerporto e até um trem expresso, que demora um pouco, mas chega em Termini.

Quanto ao melhor lugar para se hospedar, não tenho dúvida: Trastevere! É “do lado de lá do Rio Tevere” (Tibre para os brazucas) e onde ficam as charmosas cantinas italianas. Além disso, é relativamente perto do Vaticano e do Coliseu (não tão perto e com fácil acesso quanto o Termini, mas mais interessante). O Termini é degradado e feio. Se você vai bater perna o dia inteiro e cair na cama de noite, pode até achar o Termini melhor. Se quiser viver um pouquinho a cidade, fuja de lá.

Vamos passear por Roma?

Nosso tour vai começar naquele que talvez seja o maior símbolo de Roma: o Coliseu:

O Coliseu é um marco em Roma? Sim, é claro. Tem muita história? Obviamente. Fez parte de um daqueles momentos em que a humanidade deveria envergonhar-se de seus atos, mas que não pode ser esquecido sob pena de ser repetido algum dia (acho isso difícil, mas vai saber)? Certamente!

O Coliseu, também conhecido como Anfiteatro Flaviano ou Flávio, é um anfiteatro construído no período da Roma Antiga, inaugurado entre 79 e 81 d.C. Sabe aquela história da política do pão e circo, tão falada na escola e que AINDA hoje é repetida pelos políticos brasileiros? Então, o maior expoente disso é o nosso Coliseu. Foi construído como um lugar de diversão, onde eram realizados não só os famosos combates entre gladiadores, mas também caçadas a feras e até batalhas náuticas! Na época da perseguição aos cristãos foi palco de grandes martírios onde esses cristãos eram literalmente jogados às feras! Diversões bastante sadias, como se pode notar.

Por dentro, o que se vê hoje é a estrutura de “backstage“, do local. Aquilo ali era a parte que ficava embaixo da arena. Ela era de madeira e ficava por cima desses dutos e caminhos que se vê agora. No final, uma das fotos mostra a arena, como era na época…

Muita gente diz que fica triste quando entra lá e sente uma emoção forte por todas as almas sacrificadas. Realmente a história é cruel, mas precisa ser contada… Hoje em dia existem diversos símbolos católicos e o próprio papa passa por ali na Via Crúcis realizada na sexta-feira santa…

Olhando à oeste, temos o Arco Constantiniano. É um arco do triunfo celebrando a vitória de Constantino sobre Maxêncio. Está fechado com grades e um portão. Embaixo dele há representação da batalha, mas como está todo cercado…

Saindo do Coliseu temos o Fórum Romano. O mesmo ingresso vale para os dois… O Fórum Romano foi o maior entreposto comercial da Roma Antiga. Ok, tem seu valor, afirma a existência de espaços urbanos em Roma, demonstra organização social… Mas hoje é um emaranhado de pedras sobrepostas, jogadas e colocadas de qualquer jeito, numa área enorme. Sinceramente, na minha opinião, é um mico. Vou chamá-lo de mico no 1, porque ainda teremos outro…

À frente do Coliseu existe um outro espaço aberto, com escavações, onde era o Circo Máximo. Nada para ver, apenas uma praça verde usada pelos romanos para lazer. Outrora foi um lugar de corrida de bigas e diversão. Dá prá imaginar o que significava “diversão” para os romanos, pelo relato que fiz do Coliseu…

Praças

Saindo um pouco das ruínas do centro de Roma, temos as aprazíveis e belíssimas “piazzas” (praças). Vamos começar pela Navona:

Muito bonita e feita em forma circular. Seu espaço já havia sido usado pelos romanos antigos, como comprovam as escavações feitas abaixo do local onde hoje ela fica. Aliás, a cidade de Roma atual é construída camadas acima das antigas. Existem muitas “Romas” por baixo da atual…

Vale um passeio e umas fotos. A embaixada brasileira fica nela, além de estar no caminho para a Fontana di Trevi.

Fontana di Trevi

Posso dizer que a Fontana di Trevi foi uma belíssima surpresa. Eu esperava uma fonte pouco maior do que um chafariz e me surpreendi com o tamanho, grandeza e beleza do lugar. Dá uma olhada prá você ver:

Já tinha visto umas fotos, mas não imaginava que fosse tão grande… Um lugar extremamente concorrido (muitos turistas) e belo. Estava com um pouco de sol e impressionava a cor da água. Jogamos umas moedinhas por lá e tomamos um sorvete nas escadarias. Muito bom.

Saímos de lá e passamos no Pantheon italiano. Túmulos de reis e famosos. Parada para fotos.

As próximas duas praças daria para ter feito à pé, mas estávamos muito cansados e desencanamos. Pegamos o metrô e fomos conhecer a Piazza di Spagna…

e a Piazza del Popolo…

Todas muito bonitas (peço desculpas pelo foto da Piazza di Spagna, mas era a única que eu tinha só do lugar).

Acabou? Que nada, ainda tem um outro belíssimo monumento.

Esse aqui é o Monumento Nazionale a Vittorio Emanuele II. Esse rei é considerado o pai da pátria italiana, pois foi o primeiro depois da unificação. Há diversas menções a ele na cidade, inclusive seu túmulo,que repousa lá no Pantheon.

O meninão é feito inteiro de mármore nacional (italiano, é claro) e muito pomposo. Abriga, também, o túmulo do soldado desconhecido…

O museu nacional da unificação e sobre a segunda guerra também ficam no local.

Taí o reizão, sempre montado no seu cavalo…

Igrejas

Além do próprio Vaticano (que será tratado em post separado) Roma possui diversas igrejas. Visitamos a basílica de San Giovanni Luterano, que é a igreja do papa (pois é, o sumo pontífice tem uma igreja prá chamar de sua). Bonita, mas não se compara com a basílica de São Pedro…

Aqui uma estátua a São Francisco de Assis, ao lado da basílica

Além dela, visitamos a Basilica de Santa Maria in Cosmedin. Essa é aquela igreja onde fica a Boca da Verdade. Prá tirar foto, custava 50 centavos, então só tiramos nossas próprias. Essa aqui eu peguei da internet:

Prá quem não sabe, a boca da verdade era um lugar em que as mulheres testavam a fidelidade na idade média. Se rolasse uma traição, a boca cortava a mão da infiel…

Vale uma visita ainda à Santa Maria de Trastevere e à Igreja que fica na Isola Tiberina. Há fotos da igreja de Trastevere no final do post…

Termas de Caracala

Prá mim, esse é o mico no 2 da viagem a Roma. Lembram-se do Roma Pass? Pois é, ele dá direito a duas visitas grátis a museus e só tínhamos ido ao Coliseu. Como minha esposa não estava a fim de ir até a Galleria Borghese, tivemos que gastar isso indo até alguma outra ruína. Escolhemos as Termas de Carcala, já bem cientes (depois do Fórum Romano e do Circo Máximo) de que o lugar tinha um altíssimo pontencial de ser um mico. Não nos enganamos.

A história do lugar é interessante: Nosso querido imperador Caracala, entre 212 e 217 resolveu construir um local para banhos termais. Fez um prédio que poderia receber 1500 pessoas ao mesmo tempo, nas suas piscinas e recintos molhados (vamos chamar assim). Existiam diversas esculturas romanas, chão de mosaico e até bibliotecas! O lugar era um luxo, é claro, pois foi feito para imperadores.

O problema começou com o declínio do Império Romano. Cada povo que os conquistava destruía e pilhava um pouco dos lugares. Esse daí foi muito pilhado e não tem nada para mostrar, a não ser as ruínas do que seria o prédio principal…

Os mosaicos que ficavam no chão das “piscinas”

Uma ideia do que era o lugar:

Agora vou concluir fazendo um apoio e uma crítica aos romanos. Em primeiro lugar, devemos levar em consideração que Roma talvez tenha o maior passivo histórico relevante do mundo atual. Aconteceu muita coisa ali e em qualquer lugar onde se cava um buraco aparecem ruínas. Isso não é fácil de se lidar. Eles ficam com toda a história da civilização ocidental sob seus pés. Convenhamos que esse não é um fardo tranquilo de se carregar.

Minha crítica incide justamente nesse aspecto. Eu sei que lugares históricos não podem ser restaurados plenamente, pois seu valor repousa justamente na história que carregam. Porém o Coliseu, só para ficar num exemplo, já está muito restaurado e com partes e colunas bem mais modernas do que as originais. Só assim para aguentar o fluxo de turistas que diariamente visita o lugar. Será que seria muito custoso para eles fazerem uma parte restaurada (só um pedaço, que fosse) mostrando como aquilo era originalmente? O Coliseu ainda está de pé e vale a visita, mas essa restauração histórica tornaria muitos dos outros monumentos romanos mais interessantes de se visitar. Do contrário são só colunas, pedras e muita imaginação para tentar recriar o que acontecia ali…

Despeço-me da agrabilíssima Roma com fotos de Trastevere, onde ficamos. Altamente recomendável…

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